Hoje eu sou do chefe - Capitulo 9
Por: Jane Bernardino
Na manhã seguinte, o dia amanhece com o sol brilhando sobre Angra dos Reis, um cenário paradisíaco entrava pelo janelão de vidro. O barulho suave das ondas quebra o silêncio enquanto nós dois estávamos deitados.
Tenho um momento de hesitação ao observar aquele homem lindo dormindo ao meu lado, ainda tentando entender o que aquela noite significou para nós dois, levanto na ponta dos pés e vou até o banheiro.
Quando volto para o quarto vejo Henri olhando para o celular, sua mandíbula apertada, seus olhos verdes estão escuros de tensão.
"Tá tudo bem?"
"Ah.. Oi linda! Bom dia"
"Bom dia!"
"Sim, está tudo bem sim."
Ele abre aquele lindo sorriso e noto que seus olhos iluminam ao olhar para mim. Me da um beijo na cabeça e segue para o banheiro. Um tempo depois estamos compartilhando um delicioso café da manhã com uma vista deslumbrante, de tirar o folego.
"Dormiu bem?" Ele me observava enquanto tomava um gole de café.
"Muito bem, obrigada!" Sorri e desviei o olhar sentindo minhas bochechas queimando.
"Fico feliz."
O sol brilhava suave sobre o deck, refletindo na água calma da piscina com borda infinita. O cheiro do café fresco pairava no ar, eu observava o mar se estender diante de nós, parecia um sonho tudo aquilo. Estávamos sentados lado a lado, admirando uma vista que poderia facilmente sair de um cartão postal, o silencio confortável se quebrou quando o seu celular vibrou sobre a mesa de madeira.
Ele pegou o aparelho que olhando da minha direção eu não conseguia ver nada por causa da película de privacidade que tinha. Mas consegui sentir no ar a tensão que aquela mensagem trouxe.
Seu corpo se enrijeceu, e os dedos grandes apertaram com força o seu celular. O sorriso que ele exibira a minutos antes desapareceu, substituído por uma expressão tensa e fechada.
Olhei para ele confusa. "Alguma coisa errada?" ele não me respondeu de imediato, lendo e relendo o que a tal mensagem dizia.
A mandíbula travada como se estivesse tentando conter uma explosão interna. Os olhos verdes, que então refletia a calma do mar, agora estavam escuros, frios.
Ele se levantou bruscamente, caminhando em direção à borda do deck. A água clara da piscina refletia sua figura alta e imponente. Senti um calafrio ao vê-lo tão distante, mesmo estando tão perto.
O vento suave trouxe um cheiro salgado do oceano, mas o silêncio pesava mais que qualquer coisa.
"Tenho algo para resolver" Ainda sem me encarar entrou para suíte e eu me mantive sentada sem reação, com a xicara de café esfriando em minhas mãos. A ondas continuam batendo sobre a água azul do mar, mas eu não conseguia mais apreciar aquela vista. Aquele momento perfeito agora parecia manchado por uma nuvem de incerteza.
Fique ali tentando entender o que acabara de acontecer, quando ele voltou já vestido, a expressão no rosto mais controlada, mas ainda carregada de algo que eu não conseguia decifrar.
Ele se aproximou devagar e por um momento achei que pegaria em minha mão. Mas ele parou a alguns passos de distância, os olhos verdes me fitando com intensidade que me fez prender a respiração.
"Você deveria começar a se arrumar, vamos sair em 30 minutos" Sua voz firme, mas com uma suavidade que não passou despercebida. "Vou te levar pra casa" Ele fez uma pausa, os olhos desviando para o mar antes de voltar a me olhar "Eu preciso resolver isso, mas... não pense que estou te afastando. Só preciso de um tempo." A tensão ainda estava lá, mas havia um carinho na forma como ele falava. Não era um comando frio, era uma preocupação disfarçada de decisão.
Senti meu coração apertar ao ouvir suas palavras, a tensão no ar era palpável, e por mais que eu tentasse, não conseguia afastar o medo do que aquilo significava.
Abri um sorriso breve, meus lábios pressionados numa linha fina "Claro!" disse tentando soar despreocupada. "Já vou me arrumar." levantei apressada com a intensão de sair daquela situação desconfortável, o mais rápido possível. Mas antes que eu pudesse dar dois passos, ele me agarrou firme, mas com um toque surpreendentemente suave. Mal tive tempo de processar quando senti o seu corpo junto ao meu, e então os seus lábios encontraram os meus, um beijo intenso, como se aquele fosse o nosso último beijo. O choque inicial deu lugar a uma onda de calor que me fez me entregar por um breve momento.
Um dos seus braços estava envolta da minha cintura e sua outra mão segurava gentilmente minha nuca. Ele me segurava com força, como se não quisesse me deixar ir, apesar do que acabara de dizer. Sentindo sua urgência em partir e o desejo de me manter por perto, solto uma longa respiração e me sinto confusa com tudo aquilo. Quando parou de me beijar, encostou sua testa na minha, olhos fechado, respirando fundo, como se aquele gesto fosse o único conforto que ele pudesse me oferecer naquele instante.
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